O luxuoso embarque de um intrigante mistério

Assassinato

Nunca fui muito de filmes policiais, investigativos ou carregados de mistério. Imagine, então, ver um longa inspirado na obra de Agatha Christie? Nem se fosse uma história real, sucesso de vendas no mundo todo e que tivesse rendido várias adaptações? Não… Não tenho nenhum interesse. Porém, tudo pode mudar completamente quando uma ação de marketing é muito bem feita. Foi o que aconteceu – no meu caso, particularmente – com mais uma adaptação para os cinemas do clássico “Assassinato no Expresso Oriente”, que acaba de estrear nas telonas.

Durante meses, ações em sites e nas redes sociais movimentaram meu interesse pelo filme. Nos trailers lançados, um elenco de peso aparece dentro do luxuoso trem Expresso do Oriente, na década de 30, todos suspeitos de um assassinato. O morto: Johnny Depp. Os suspeitos: Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Michelle Pfeiffer, Tom Bateman e muitos outros. Com uma belíssima e requintada fotografia, os vídeos são bem atrativos, me instigaram bastante e me chamaram muita atenção. Para arrematar de vez meu coração, a última divulgação foi de um teaser com ninguém mais, ninguém menos, que Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) apresentando a sinopse. Não tinha jeito de não ver!

Kenneth Branagh, além de dirigir o longa, dá vida ao detetive belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh), que embarca de última hora no majestoso trem, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Ele, que queria tirar merecidas férias após resolver mais um caso em Jerusalém, acaba caindo de gaiato em mais um mistério. A bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett aparece morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot a usar suas famosas e imponentes habilidades dedutivas para desvendar o crime cometido.

Dentro da premissa clara e óbvia do protagonista de que, “se houver um assassinato, há um assassino”, o filme se desenrola no caminho árduo e cheio de meticulosidades para, então, se desvendar o enigma. Um trabalho cauteloso para o “melhor detetive do mundo”, um sujeito exemplar que tem transtorno obsessivo-compulsivo, se mostra poucas vezes vulnerável, mas acaba se mostrando um tanto imperfeito – mesmo sendo o único que não é suspeito dentro de um trem carregado de suspeitos.

Com frases-padrão – “Um assassino nunca hesita em matar de novo” ou “É preciso a ruptura da alma para assassinar alguém” –, Hercule Poirot, com seu impecável bigode, é a maior atração do longa. Outros personagens se destacam devido à belíssima atuação de alguns atores. E esse é um dos trunfos da produção.

Tudo vai muito bem – a investigação, inclusive, exibe um cenário curioso e instigante –, até que o crime é solucionado. Eu, que estava achando o roteiro bem desenhadinho, não pude acreditar quando a resolução veio à tona em forma de flashback. Puro exagero!

Outros exageros na trilha sonora e em alguns diálogos (especialmente nos penosos monólogos do detetive sabichão) quase tiram a luminosidade final do longa, mas isso não é possível. A produção em si é intensa e intrigante, uma adaptação primorosa para a qual Agatha Christie sorriria.

Alguns sites confirmaram recentemente que uma sequência para o filme já está sendo prevista. “Morte no Nilo” tem confirmado o retorno de seu roteirista, Michael Green, mas ainda não se sabe se o diretor/protagonista vai voltar. Como ele mesmo disse no longa, “está na idade: o que gosto, aproveito ao máximo! O que não gosto, não suporto!”. Não se preocupe, detetive… Nós também somos assim!

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Confira o trailer:

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