“Depois do Casamento”: a vantajosa surpresa de um reflexivo remake

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Eu gosto da sensação de entrar na sala de cinema e não saber absolutamente nada sobre aquele filme que estou prestes a ver. É lógico que os trailers têm a sua importância (para te instigar, cativar, emocionar antes mesmo da estreia), mas prefiro esse lance às cegas. Foi o que fiz com “Depois do Casamento”, drama do diretor Bart Freundlich que acaba de chegar aos cinemas. Só pelo título, imaginava ser uma boa e assertiva comédia romântica – boa e assertiva porque a produção tem no elenco Julianne Moore, minha atriz favorita e ganhadora do Oscar por “Para Sempre Alice” (2015), e Michelle Williams, quatro vezes indicada à estatueta. Ou seja, já estava feliz só pelo duo de protagonistas.

Só que, já nas primeiras tomadas, já dava pra perceber que o longa não tinha nada de comédia. Um super drama me esperava, e cheio de reviravoltas! Na história, Isabel, gerente de um orfanato em Calcutá, na Índia, luta para manter o estabelecimento funcionando e continuar ajudando centenas de crianças necessitadas. Desesperada com a situação e em busca de dinheiro, ela acredita ter encontrado a benfeitora perfeita, Theresa (Julianne Moore), dona de empresa multimilionária de marketing. Porém, para receber o dinheiro, ela precisa viajar até Nova York e conhecer a rica mulher de negócios, isso tudo em meio a uma pomposa celebração de casamento. Só que muitos segredos e mistérios virão à tona após Isabel reconhecer o marido da empresária.

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A cada cena, uma descoberta… e com atuações dramáticas dignas de premiação para as duas tremendas atrizes. As descobertas continuaram quando o filme terminou, e eu saí da sala de cinema pesquisando na internet sobre ele. Vi que a produção hollywoodiana é um remake de um longa dinamarquês assinado por Susanne Bier e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007. Vi também que no primeiro longa, os protagonistas eram homens. Ou seja, a troca de gêneros no remake homônimo é arrematadora, pois, além de suas impactantes atuações, as atrizes dão uma leveza e, ao mesmo tempo, intensidade à produção.

Não existem muitos diálogos impactantes ou inflamados, mas as discussões são intrínsecas. A mais forte seria da diferença entre as duas protagonistas. Uma com o estilo de vida desprendido, mais socialista e humanitário, e outra bem-sucedida com o poder do capitalismo nas mãos. Aos poucos, com o fim dos segredos e os mistérios em pratos limpos, você vai entendendo que a relação delas é cada vez mais complementar, e isso pode ser feito até mesmo semioticamente na personificação do ninho com ovos quebrados de um passarinho encontrado por Theresa no início do filme a um outro ninho sendo construído e visto por Isabel na Índia. A desconstrução e o desastre estão muito perto da restauração e do recomeço. São essas sutilezas que um filme tão delicado provoca, reflexões que um remake sob outra perspectiva pode mostrar…

Tá vendo… se tivesse lido algo sobre o filme antes ou visto seu trailer, não teria tido esse impacto todo. Que vantajosa surpresa!

 

Assista ao trailer:

 

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