A liberdade alcançável pela esperança interminável

Papillon-2018

Quanto vale sua liberdade? Acredito que nosso maior presente é ser livre, poder fazer o que quiser, a hora que quiser, poder ir, poder vir… não existe dádiva a ser comparada. Muitos que são presos por cometerem alguma transgressão devem se arrepender nas primeiras horas confinados, mas imagine então ser aprisionado por algum crime que não cometeu. O sentimento de impotência e a falta de capacidade de mudar aquele cenário violador e inarredável devem ser extremamente perturbadores e caóticos. Muitos não aguentariam, talvez eu não aguentaria. Henri Charrière aguentou. O famoso ex-ladrão de joias francês, chamado de Papillon, ficou famoso na década de 30 ao ser condenado à prisão perpétua por um crime maior que não havia cometido. Pois, nessa história real, nos 11 anos em que esteve preso, Papillon não passou um dia sequer sem pensar num jeito de escapar da prisão de segurança máxima a que foi mandado na Guiana Francesa e recuperar seus dias de liberdade.

Suas muitas tentativas de fugir da prisão e seu eventual sucesso já foram contados em uma autobiografia de 1969, que virou best-seller e que, na época, ficou quase cinco meses em primeiro lugar, vendendo 1,5 milhão  de cópias apenas na França. Desde então, já foram 239 edições traduzidas para 21 línguas diferentes. A história também já foi contada no cinema, ganhando Hollywood em 1973, com Steve McQueen no papel principal e Dustin Hoffman como Louis Dega, um homem que Papillon promete defender dentro do cárcere em troca de auxílio financeiro para escapar da prisão.

Agora, o diretor Michael Noer e o roteirista Aaron Guzikowski recontam essa história fantástica de luta e de dor em toda sua glória. Em “Papillon”, que acaba de estrear nos cinemas, o francês Charriène é interpretado  por Charlie Hunnam, enquanto o papel de seu parceiro Dega fica com Rami Malek. A escolha dos atores é certeira. A interpretação é intensa e crível, com boa sintonia entre os dois, que conseguem relatar a relação de proximidade e lealdade em meio a um inferno. O que não dá pra entender é por que uma nova versão da mesma história é criada para o cinema sem nenhuma novidade.

Papillonn

A justificativa seria na criação de um bom entretenimento para o século XXI, em que a luta pela sobrevivência e a busca constante pela esperança para não sucumbir a tamanhas atrocidades são desafiadoras e impressionantes. Quando Papillon vai para a solitária, por exemplo, o diretor consegue captar o exato sentimento do personagem. Numa sala de apenas cinco passos, só se ouve o barulho da respiração e das portas e grades. O desespero de estar na escuridão e a satisfação de ganhar a metade de um coco quando não se tem nada é algo rico que transcende a tela. Entre a solidão e a alucinação, vem o questionamento: “Você acha que a pessoa sabe quando está enlouquecendo ou é só uma ignorância abençoada?”. Ou até mesmo outra indagação: “Pelo quê você está vivendo?”. São perguntas que só a esperança e a vontade interminável pela liberdade são capazes de responder. Não se sabe até onde você seria capaz na luta por sua liberdade. A de Papillon foi até o impensável, o incalculável, o inacreditável. Uma história inimaginável e, ao mesmo tempo, de uma esperança interminável e admirável.

Confira o trailer de “Papillon”:

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