Reviravolta, um ato desafiador

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O que você mais gosta em um filme? São as cenas de ação? Os efeitos especiais? Ele tem que te fazer rir? Te fazer chorar? Você gosta daqueles que te assustam, te metem medo? Ou daqueles que te deixam completamente apaixonado? O cinema tem um leque aberto para todos os gostos e estilos, uma arte bem democrática que pode te levar do céu ao inferno. Você pode escolher o filme que quiser, dependendo do seu humor ou da sua vontade naquele dia. E isso é maravilhoso! Mas acaba que sempre temos nossas preferências, né? Eu tenho muitas. Mas vou dar um exemplo sincero e arrematador do meu ranking de favoritos: se alguém me sugerir um suspense com muitas reviravoltas… Nossa… Eu paro tudo e vejo na hora!

Foi isso que aconteceu comigo quando me indicaram para ver na Netflix o longa espanhol “Um Contratempo”. As recomendações eram tantas que, na mesma hora, aproveitei o Wi-Fi de onde estava e baixei no iPad para assistir offline. Acabou que nem precisou porque cheguei em casa e preferi ver na tela grande da TV. E que bom que eu consegui esperar. Estava solitário numa noite chuvosa, ótima pra um bom suspense (que não tem nada a ver com terror, você sabe disso!) e acabou que fiquei assim: estático do início ao fim. Que filme!

Tudo está indo muito bem para Adrian Doria (Mario Casas). Seu negócio é um sucesso e lhe trouxe riqueza, sua bela esposa teve a criança perfeita, e sua amante está bem com o caso dos dois escondido. Que vida maravilhosa! Que fantástica forma de levar a vida, Adrian! Tudo está ótimo até que ele desperta em um quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Que tragédia! E ainda pode piorar: o quarto é trancado e não tem nenhuma maneira de entrar ou sair. Com tudo o que construiu desmoronando a seus pés, Adrian recorre à melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior.

A história por si só já é muito curiosa, né? Você fica instigado para saber o que realmente aconteceu com Adrian e sua amante, qual é o mistério que envolve tudo aquilo e onde tudo vai parar. “Culpa” do roteiro e da direção do espanhol Oriol Paulo, que foi bastante inteligente e ainda carregou a produção de flashbacks, que são uma forma curiosa e diferente de contar a história em retrocesso – e que mexe com o nosso cérebro, que trabalha de forma não linear. Aliás, são os flashbacks muito bem montados que incentivam e desafiam o espectador, ávido pela conclusão oculta, sedento pela próxima reviravolta.

Mas, Luiz, por que você gosta de produções com reviravoltas? Sabendo que elas existem, você, teoricamente, já não esperaria por elas? Na prática, não! Dependendo da direção, sua experiência cinematográfica servirá como alavanca para querer mais e mais. E, se o cara for criativo, você nem percebe isso. Uma cena bem-feita, intensa, fértil, instigante, surpreendente é como um carrossel de emoções: a gente precisa desses altos e baixos do diretor pra sentir aquele friozinho na barriga tão essencial, sem nem perceber que aquela adrenalina injetada por causa da surpresa já chegou, e você já está esperando pela próxima. Pra mim, o diretor inventivo e engenhoso que alcança esse pilar já merece um Oscar.

No cinema, inovador é o transgressor. Empreendedor é o renovador. Na visão do espectador, o criador deve abusar justamente desse tom desafiador para, enfim, atingir o ímpeto clamor.

Confira o trailer:

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